aparentemente coisas tão simples como levar um tupperware para almoçar no trabalho/escola ou fazer da bicicleta um transporte diário só passam a hábitos quotidianos se passarem por um travestismo cool. é passar os olhos por blogues, redes sociais e publicações e pumba! lá estão escarrapachados os "novos modos de vida urbana" e há todo um proselitismo a incutir aos infiéis. yah, é fixe levar tupperware com comida, melhor e mais barata do que a que a universidade oferece, mas tenho mesmo de fazer um blogue sobre isso? pior, terá o público de fazer uma reportagem sobre estas novas (?) tendências? suponho que divulgá-las ajuda a expandi-las, mas o que me faz verdadeiramente impressão é o complexo que (ainda) existe em portugal com estes hábitos que relembram tempos piores, em que a marmita não era uma opção e em que a bicicleta era um tesouro, dada a falta de transportes públicos e privados. o que me irrita é este país intrinsecamente novo rico que necessita que seja cool para que se torne possível resgatar hábitos sustentáveis, saudáveis e lógicos. pois, caso contrário, quelle honte! levar marmita, eu? ainda pensam que não tenho dinheiro para almoçar fora..
Mostrar mensagens com a etiqueta fel. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta fel. Mostrar todas as mensagens
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
coisas que não passam pela garganta #3
domingo, 9 de setembro de 2012
da falta de gosto ao calçar
uma pessoa faz tempo num aeroporto e dá uma vista de olhos pelas lojas e o que é que encontra? pior que umas sandálias- bota (feias que metem dó), sobre as quais já aqui destilei o meu veneno, só ténis-bota-de-salto-alto (What??). que falta de propósito, porra!
Libellés :
da minha torre-de-marfim,
fel,
modas
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
coisas que não passam na garganta # 2
Se há coisa que me irrita são "mulheres modernas" (um bom título de revista do grupo Impala) que se constroem à conta de episódios, experiências e trends sacados do Sexo e a Cidade. O maior imbróglio do "feminismo" das últimas décadas, uma ode ao consumo de sapatos, tendências e caras-metade que completem a vazia existência de cada um dos personagens. Se já não engolia há 10 anos, hoje ao encontrar por aí narrativas decalcadas daquele tele-lixo, ainda por cima com a assunção de que se tratam de narrativas super hip e groundbreaking, dá-me simplesmente vontade de vomitar.
sexta-feira, 20 de julho de 2012
do Québec mas podia ser de qualquer outro aqui
"Basically, what is happening in Québec is a sudden and widespread resistance to a global phenomenon, which is trying to apply the business model to every kind of human activity. Like a business, the university is supposed to become self-financing, whereas historically it was built up according to quite different rules. The conflict obviously took the particular and very localized form of a fight against the planned rise in university fees, which then spread to an opposition to the government’s handling of the crisis. But it is clear that at the core of the uprising is a subjectivity in revolt against the idea that business should be the paradigm for everything."
Alain Badiou
quarta-feira, 18 de julho de 2012
coisas que nao passam na garganta #1
porque estamos a 18 de julho há que relembrar que a herança franquista continua intocável: que espanha tem um rei, e respectiva famíla, a receber do orçamento de estado 8,26 milhões de euros para os seus botoes e que, ainda por cima, sai de cena como magnânimo ao "baixar o seu próprio ordenado". incomoda-me principalmente que se continue a vender a ideia que a "democracia" espanhola lhe deve algo.
Libellés :
espanha é mau gosto a rodos,
fel
quinta-feira, 28 de junho de 2012
adenda
Valha-nos o novo mantra do empreendorismo, parece que se for dito muitas vezes dá um ar moderno e progressivo à coisa que é basicamente safar-se e foder os outros pelo caminho.
hasta los cojones
Há tanto tempo que nao abria esta porcaria que o interface do blogger até mudou de cara - e na minha modesta e reaça opiniao, para muito pior (foram pelo menos uns bons 5 minutos perdida a olhar para o ecrán à procura do botaozinho "novo post"). Ora bem mas eu nao vinha aqui destilar veneno sobre o blogger, mas já que estamos nisso va'mbora!
Se nao estivesse ressacadissima (mae, ninguém te manda ler isto) e com o cérebro queimadíssimo à custa da tarefa mais ingrata que me tocou nos últimos tempos, esta prosa seria sem dúvida mais interessante ou talvez menos verrinosa. O mundo chateia-me. Na verdade nao me chateia, fode-me (outra vez, mae, ninguém te manda ler isto). A europa já deu o que tinha a dar e já nao estamos no século XVII quando podíamos meter-nos num barco e ir para um sítio vazio viver segundo as nossas ideias (e à lei da bala). Há demasiado tempo que penso que nao quero viver aqui, assim, desta maneira. Que me assalta o coraçao o mundo de merda e, ainda por cima, merda a cada vez mais a ponto de se tornar solidificada e mais mal-cheirosa. Este mundo onde ser pessoa nao vale nada, onde pensar se mede em publicaçoes, rankings e indices de impacto, onde cada vez que abro o jornal (coisa cada vez mais rara) todas as noticias me fodem e já nem sequer se trata de dizer "neoliberalismo e quê, sim e tal, lutar por um estado social". eu quero que o estado social se foda, porque na verdade eu quero é ir-me daqui para uma casa no campo e ser eu a ditar a minha lei.
Libellés :
bangunça habitual,
fel,
o meu país é um lodaçal,
resmunguices
segunda-feira, 11 de abril de 2011
da tendência para a peixeirada como sinal de diferenciação
Portugueses e espanhóis (oh heresia das heresias!) somos muito parecidos (heresia ainda maior), mas nas pequenas coisas temos um mundo inteiro entre nós. Começando pela desgraçada da comida, cuja a explicação que consigo encontrar é apenas a mais precoce e extensiva industrialização espanhola - pão miserável, sopas asquerosas e gordurosas, comida caseira e supermercados cheios de congelados e enlatados - passando pelo entusiasmo pela vida, que no estado espanhol (um ponto para o politicamente correcto, poing!) existe e acabando, por agora, na incapacidade de um espanhol se manifestar efusivamente sem cair na peixeirada.
Se há diferença substancial entre nós é esta: em Portugal a peixeirada (salvo algumas excepções) está confinada à praça ( até há aquele bem bonito dito "pensas que estás na praça ou quê?") e aqui está por todo o lado, não faz distinção de género, idade ou classe social (embora faça alguma diferença a geografia). Seja uma discussão ou a mais corriqueira das conversas há um estrilho de bradar aos céus e de deixar qualquer potuguês com a sensação "chiça, que terá passado!?".
Subscrever:
Mensagens (Atom)

